{"id":16651,"date":"2023-03-26T21:44:19","date_gmt":"2023-03-27T00:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/informebahia.com\/site\/?p=16651"},"modified":"2023-03-26T21:44:23","modified_gmt":"2023-03-27T00:44:23","slug":"consumo-de-ultraprocessados-aumentou-55-na-ultima-decada-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/informebahia.com\/site\/2023\/03\/26\/consumo-de-ultraprocessados-aumentou-55-na-ultima-decada-no-pais\/","title":{"rendered":"Consumo de ultraprocessados aumentou 5,5% na \u00faltima d\u00e9cada no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"287\" src=\"https:\/\/informebahia.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Ultraprocessados.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16659\" srcset=\"https:\/\/informebahia.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Ultraprocessados.jpg 480w, https:\/\/informebahia.com\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Ultraprocessados-300x179.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption>Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dez anos, o consumo de alimentos ultraprocessados pelos brasileiros teve aumento m\u00e9dio de 5,5%. \u00c9 o que aponta estudo sobre o perfil de consumidores,&nbsp;divulgado&nbsp;pela&nbsp;Revista de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), feito&nbsp;pelo N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade (Nupens\/USP). O n\u00facleo \u00e9 respons\u00e1vel pelo Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO aumento do consumo de alimentos ultraprocessados entre 2008 e 2017, embora n\u00e3o tenha sido muito grande, foi significativo. Esse aumento corrobora outras pesquisas que avaliaram compras das fam\u00edlias brasileiras desde a d\u00e9cada de 1980, mostrando que o aumento vem ocorrendo h\u00e1 d\u00e9cadas\u201d, explicou&nbsp;a&nbsp;vice-coordenadora do N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da Universidade de S\u00e3o Paulo (Nupens\/USP), Maria Laura Louzada. A pesquisa avaliou os fatores sociodemogr\u00e1ficos associados ao consumo desse tipo de alimento e a evolu\u00e7\u00e3o temporal do consumo no Brasil entre 2008 e 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Os alimentos ultraprocessados s\u00e3o formula\u00e7\u00f5es industriais prontas para consumo, feitas com in\u00fameros ingredientes frequentemente obtidos a partir de colheitas de alto rendimento, como a\u00e7\u00facares e xaropes, amidos refinados, gorduras, isolados proteicos, al\u00e9m de restos de animais de cria\u00e7\u00e3o intensiva. Usualmente, esses alimentos cont\u00eam pouco ou nenhum alimento inteiro em sua composi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de serem fartos em a\u00e7\u00facar e gorduras e carentes de fibras e micronutrientes. Entre eles,&nbsp;est\u00e3o refrigerantes, biscoitos de pacote, doces e salgados, macarr\u00e3o instant\u00e2neo, alimentos prontos para aquecer, doces, balas, chocolates e embutidos como presunto, mortadela e outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perfil&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo apontou ainda que pessoas do sexo feminino, adolescentes, pessoas brancas, com maior renda e escolaridade e moradores de \u00e1reas urbanas e das regi\u00f5es Sul e Sudeste s\u00e3o as que mais consomem ultraprocessados. Outro dado mostrou que cerca de 20% das calorias consumidas pelos brasileiros v\u00eam de ultraprocessados.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, nos \u00faltimos dez anos, os maiores aumentos no consumo foram vistos justamente entre aqueles que menos consomem: pessoas negras e ind\u00edgenas, moradores da \u00e1rea rural e das regi\u00f5es Norte e Nordeste, assim como grupos populacionais com menores n\u00edveis de escolaridade e renda.<\/p>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para esse crescimento s\u00e3o as mudan\u00e7as do sistema alimentar globalizado, caracterizadas principalmente pela crescente penetra\u00e7\u00e3o das empresas desses alimentos&nbsp;no pa\u00eds, segundo a a pesquisadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs alimentos ultraprocessados \u200b\u200bsempre foram promovidos e divulgados incessantemente com mensagens sedutoras&nbsp;que podem levar as pessoas a acreditar que s\u00e3o superiores aos pratos tradicionais como arroz e feij\u00e3o e que far\u00e3o as pessoas&nbsp; mais felizes. O aumento do seu consumo se d\u00e1 por um conjun\u00e7\u00e3o de fatores, sendo eles, principalmente,&nbsp;redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os relativos, amplia\u00e7\u00e3o de&nbsp;oferta nos mais diversos locais de compras, principalmente pela expans\u00e3o das redes varejistas, deslocando a popula\u00e7\u00e3o dos locais de vendas de alimentos mais tradicionais, como sacol\u00f5es e as feiras&nbsp;e a crescente penetra\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias transnacionais em \u00e1reas mais remotas do pa\u00eds.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Riscos&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o do estudo mostrou que o Brasil vive uma tend\u00eancia de padroniza\u00e7\u00e3o nacional e elevado no consumo de ultraprocessados, com consequente aumento de riscos \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPesquisas consistentes t\u00eam evidenciado a associa\u00e7\u00e3o entre o alto consumo desses alimentos e o risco de obesidade e de diversas doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis como diabetes, hipertens\u00e3o, doen\u00e7as cardiovasculares e doen\u00e7as gastrointestinais. Al\u00e9m disso, publica\u00e7\u00f5es recentes mostram que est\u00e3o relacionados a danos ambientais sem precedentes, contribuindo com grande parte das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e causando desmatamento, degrada\u00e7\u00e3o do solo e perda massiva de biodiversidade\u201d, alertou&nbsp;Maria Laura.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o da pesquisadora, para reverter a tend\u00eancia, basta manter a alimenta\u00e7\u00e3o tradicional brasileira. \u201cCom sorte, ainda temos grande parte da nossa alimenta\u00e7\u00e3o baseada em alimentos&nbsp;<em>in natura<\/em>&nbsp;ou minimamente processados e suas prepara\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias. Ou seja, mesmo com o crescimento dos alimentos ultraprocessados, nosso arroz com feij\u00e3o ainda os supera largamente\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma grande janela de oportunidade para revertemos a tend\u00eancia negativa. Ou seja, n\u00e3o precisamos reinventar a roda, mas sim, fortalecer e resgatar o que fazemos h\u00e1 muitas gera\u00e7\u00f5es: uma alimenta\u00e7\u00e3o tradicional baseada em alimentos in natura ou minimamente processados. Mas, para isso, as pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o urgentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Maria Laura, que se dedica a estudar os efeitos do ultraprocessamento de alimentos nas condi\u00e7\u00f5es de vida e sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es, determinadas a\u00e7\u00f5es poderiam colaborar para diminuir o consumo elevado desse tipo de alimento.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara lidar com esse cen\u00e1rio, s\u00e3o necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas e interconectadas para que as pessoas tenham acesso a uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel: sobretaxa\u00e7\u00e3o dos ultraprocessados, combinada com subs\u00eddios para alimentos&nbsp;<em>in natura<\/em>&nbsp;ou minimamente processados, restri\u00e7\u00e3o rigorosa da publicidade &#8211; especialmente, mas n\u00e3o s\u00f3, para crian\u00e7as &#8211; rotulagem frontal de alertas em alimentos;&nbsp;proibi\u00e7\u00e3o da oferta desses alimentos em locais de interesse p\u00fablico como escolas e hospitais, al\u00e9m de campanhas educativas em massa para pleitear o apoio das pessoas para implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es\u201d, defendeu a pesquisadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram dados do consumo alimentar de brasileiros e brasileiras maiores de 10 anos de idade das Pesquisas de Or\u00e7amentos Familiares (POF) realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) entre maio de 2008 e maio de 2009 e entre julho de 2017 e julho de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">*Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dez anos, o consumo de alimentos ultraprocessados pelos brasileiros teve aumento m\u00e9dio de 5,5%. \u00c9 o que aponta estudo sobre o perfil de consumidores,&nbsp;divulgado&nbsp;pela&nbsp;Revista de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), feito&nbsp;pelo N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade (Nupens\/USP). 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